Oh yeah! The doctor is in!

Welcome to my office. Please make yourself comfortable. Have a seat. You may lie down, if you want. Here's a tissue if you need it. I'm here to listen and help you out.
I'm awesome at giving advice. How can I help you today?

Disclaimer: I am not a professional therapist or shrink. The advice dispensed here is based on personal opinions only and should be taken as such.

I speak Portuguese and English.

Bem vindo ao meu consultório. Fique à vontade e sente-se. Se preferir, pode se deitar. Pegue esse lenço pro caso de precisar. Sou toda ouvidas e estou aqui para ajudar.

Sou ótima pra dar conselhos! O que eu posso fazer pra ajudar?

Atenção: Não sou terapeuta nem psiquiatra. Os conselhos que eu dou aqui são baseados somente nas minhas opiniões e nada mais do que isso.

Eu falo português e inglês.
Recent Tweets @meninadidentro

Tempo, tempo, tempo. Mano velho?

(via julinhabm)

Asker Anonymous Asks:
Namoro há quase três anos um mocinho maravilhoso e estamos muito apaixonados. Detalhe: é namoro à distância. Ele é estadunidense (adoro a palavra) e nos vemos mais ou menos a cada três meses. O resto é skype diário. Queremos muito ficar juntos mas nenhum tem coragem de abandonar a carreira (ele, de advogado novaiorquino e eu, funcionária pública com salário nababesco - ah, tb estudei onde mora a amizade e a alegria! :)) O plano é ele vir para cá depois de achar um trabalho em escritório/empresa mas olha, tá difícil de achar emprego por aqui. Muito chata e burocrática a história, eu sei, mas eu queria mesmo saber é: comofas, Ione? Quando penso na sua história, fico me perguntando como foi para vc largar tudo e ir praí? Desculpa a pergunta pessoal, entendo se não quiser responder (ainda mais para uma anônima intrometida), mas acho curioso os pontos de semelhança nas nossas histórias e claro que muitas vezes me dá vontade de largar tudo e tentar algo diferente em outro país (até porque, não morro de amores pelo direito). Beijo. Te acho uma fofa.
ohyeahthedoctorisin ohyeahthedoctorisin Said:

Olá, querida coleguinha da Velha Academia! Desculpa demorar taaaanto a responder, mas eu estava resolvendo outras questãs pessoais que me tomaram tempo. 

Comofas pra largar tudo. Não foi fácil e continua não sendo. O ideal seria que eu ganhasse na loteria e pudesse viver ora cá, ora lá. Mas não deu. De modo que a gente pesquisou soluções (i)migratórias ou temporárias. Porque, né?, de longe é totalmente diferente. E por razões essas ou outras, incluindo financeiras, a solução foi essa que você (acho) conhece. Levou um tempinho, mas não é realmente difícil, e todo o processo dá pra gente encaminhar sem precisar de assistência legal ou coisa assim. 

Quando eu vou tomar alguma decisão difícil na vida, eu sempre me pergunto: qual é o pior que pode me acontecer? Se eu viesse pra cá e não desse certo com o mocinho e nós não nos gostássemos de perto como antes nos gostávamos à distância, comofaria? Eu voltaria para o Brasil, ora bolas. E se há uma coisa que eu sempre tenho em mente é de que nada é pra sempre. Acho desnecessariamente angustiante pensar que as coisas são imutáveis.  Tá certo, eu não tinha um emprego de salário nababesco, mas no fundinho do meu ser, tentar ser feliz com esse mocinho era mais importante que o emprego.  Então pra mim foi assim: pensei no melhor e no pior que me poderia acontecer e eu achei que o melhor faria a tentativa valer a pena.  

Deixar a família, meus amigos e minha cultura (sim, choque cultural rola, apesar da exposição toda) foi (e é) difícil.  Pra mim, sobretudo, fazer amigos. Mas o que aconteceria comigo, hoje, se alguma coisa desse errado? Por sorte, sou mimadinha da estrela, uma caçulinha de 30 e poucos, e minha família me ajudaria e me acolheria de volta. De modo que não me preocupo com isso.  Mas sigo com planos de tentar voltar pro Brasil, onde eu sou ainda mais feliz que aqui. 

Sobre o seu mocinho encontrar emprego no Brasil, pelo que eu me lembre, tem uma questã de remuneração. Para conseguir o visto, o estrangeiro teria que receber, no Brasil, o equivalente ao que ele receberia no país de origem em emprego equivalente, o que, por haver conversão de moeda, é beeeem difícil de achar.  Mas isso já faz anos e talvez as coisas sejam diferentes ou talvez eu não lembre direito. 

Então acho que o negócio é encontrar alguma coisa temporária pra ver como a coisa rola e só depois pensar numa outra solução mais permanente. Como vocês namoram há três anos, provavelmente já se encontraram várias vezes. Passar mais que 1 ou 2 semanas juntos é bem diferente porque se perde aquele clima de férias. Que mais poderia dizer? Poderia deixar o versinho do Fernando, aquele batidinho, mas verdadeiro, que diz que tudo vale a pena, etc.

Que mais, que mais?

Asker Anonymous Asks:
Não sei o que é uma relação normal e bacana, mas sua resposta me lembrou das palavras de Lin Yutang:

"He aquí las cosas que me harían feliz. No deseo otras. Quiero un cuarto propio donde poder trabajar. Un cuarto ni particularmente limpio ni ordenado... sino confortable, íntimo y familiar. Con una atmósfera llena de humo y el olor de viejos volúmenes y de incontables olores... Quiero trajes decentes que haya usado por algún tiempo y un par de zapatos viejos. Quiero una ducha en verano y un buen fuego con leños en invierno. Quiero un hogar donde poder ser yo mismo. Quiero algunos buenos amigos que sean tan familiares como la vida misma; amigos con los que no haya necesidad de ser cortés y que me cuenten todas sus dificultades, las matrimoniales y las demás; amigos capaces de citar a Aristóteles y de contar cuentos subidos de color; amigos que sean espiritualmente ricos y que puedan hablar de obscenidades y de filosofía con el mismo candor; amigos que tengan aficiones y opiniones definidas sobre las cosas, que tengan sus creencias y respeten las mías.

Quiero una buena cocinera que sepa hacer sopas deliciosas y un viejo sirviente que piense que yo soy un gran hombre, pero no sepa en qué reside mi grandeza.

Quiero una buena biblioteca, buenos cigarros y una mujer que me comprenda y me deje libertad para hacer mi trabajo.

Quiero libertad para ser yo mismo".
ohyeahthedoctorisin ohyeahthedoctorisin Said:

Que lindo!

Fiz um logo bem pffff pro meu consultório.

Não sei “normal”. Não gosto muito de usar essa palavra porque não tem fórmula pras coisas, né? Pra dar certo ou errado no que diz respeito ao que faz as pessoas felizes (desde que não seja ilegal, destrutivo, desrespeitoso). Porque cada um de nós quer e faz coisas diferentes. 


Acho que o princípio básico da coisa é entender que as pessoas são infinitamente complexas — “(I am large, I contain multitudes)” — e que pra entender a complexidade do outro (e nossa) é preciso falar. Conversar. E ouvir. É preciso ser flexível e saber no que a gente pode ceder e o que é importante por demais pra abrir mão. E entender que o outro faz o mesmo. Acho que é preciso compreender que cada pessoa é um conjunto de milhões de desejos, interesses, falhas, opiniões, valores e que a gente não tem que concordar com tudo, nem gostar de tudo, porque qual seria a graça se os dois fossem iguaizinhos (o que é impossível por natureza)? Mas tem aquele conjunto de coisas muito importantes sobre que se deve concordar (pra mim, valores). Não dá pra aceitar tudo que incomoda e deixar de ser quem se é. 

Um relacionamento legal, pra mim, é aquele em que há objetivos comuns que convivem bem com os pessoais. Há expectativas de um lado e de outro e elas se intersectam em alguns pontos. Se não se intersectam nunquinha, acho que não há casal, só duas pessoas juntas. 

Mas não tem um jeito só de ver ou fazer as coisas, porque as pessoas vão mudando, as expectativas, os desejos, os objetivos, tudo. E a gente tem que ir aprendendo a refazer e reconstruir. E tem que entender de novo. E fazer novos planos e criar outras expectativas.

Acho que é preciso respeito, honestidade (mas sem exigir 100%), privacidade (tem gente que esquece). 

Uma relação bacana é aquela em que você soma muitos mais dias felizes que momentos angustiantes ou tristes.

Mas quem sou eu, né?, pra falar disso. Quem quizer me mandar sua opinião a respeito: ohyeahthedoctorisin arroba gmail.com

Asker Anonymous Asks:
Dois moços na vida da pessoa. Um, o sonho burguês fofo realizado. Músico, bonito, querido, inteligente, bem vestido, da mesma idade da pessoa, bem falante, de uma fofura só. Casa de comercial de margarina, filhos gorduchos.
O outro, é a vida à margem. O caminho alternativo. Bruxo profissional, bonito como um lobo o pode ser, irônico, perspicaz, brilhante, veste como um bicho grilo, 9 anos mais novo, não gosta de palavras, penetrante e assustardor. Mas permite à pessoa uma liberdade assustadora. Toda a vivência de bruxa dela - coisa em que ela acredita di cum força.
Os dois enrolados com outras mulheres. Os dois encantados por ela.
COMO FAZ?
ohyeahthedoctorisin ohyeahthedoctorisin Said:

Ãin. Tenho dificuldade com essas perguntas sobre alternativas. Aqui, temos não somente 2, mas 3. Um moço (Fofo), o outro (Lobo) e você sozinha.  Acho interessante que você tenha deixado pro final pra falar que os dois moços estão enrolados com outras mulheres. Reflita.

Ni qui. Desconsiderando que os moços têm outras raparigas, acho que meu conselho seria: “Vá com seus instintos.” É brega, mas cada vez eu acredito mais nessa história de instintos, de (desculpe usar expressão em inglês) gut feeling. Quando a gente acha que tem alguma coisa estranha, quando a gente encasqueta com alguma coisa/pessoa/situação mesmo que aparentemente não haja nada errado, que acontece? Geralmente a coisa desanda porque ali no fundinho do nosso ser (ui) a gente sabe e entende mesmo que a gente não faça ideia de onde é que veio essa certeza. De modo que, fazendo o inverso, em vez de pensar no que está errado, mas no que lhe parece certo e gostoso e bom — ou mais que bom, ótimo—, sem racionalizar, sem fazer listinha de prós e contras, sem tentar justificar uma ou outra escolha, qual dos moços você escolheria se tivesse que decidir agorinha, pra se jogar?  Ou não escolheria nenhum? Há quem escolha o morno e estável; outras escolherão quem dá nozinhos no estômago ou, ao contrário, que pareça “tchãs!” e não “mã…”. Faz sentido? Eu acho que a resposta você já sabe e ela mora aí nas suas tripas (rerrê), o difícil é a gente aceitar que sabe porque às vezes esse processinho de não saber que rumo tomar é divertido. Pra que me decidir se eu posso (aparentemente) ter tudo? A questão está no que você entende por tudo. Se “tudo” é diversão, então pronto, deixa rolar (aí está outra alternativa). Se não é, é hora de enfrentar a situação de frente.

Por outro lado, há essa questão de os moços estarem com outras moças. O que falta — se é que é questão de faltar alguma coisa — para que esses moços se decidam? Será que isso importa? Acho que não. Digamos que um deles diga que quer ficar com você de vez. Primeiro você pensaria: “Eba! Não tenho mais que pensar nisso. Já tenho um dos moços!”.  Mas acho que não é bem assim. Porque em seguida você poderia pensar que pfff, não importa porque esse não era o moço que você queria. Quem importa? Você. Quem tem que se decidir? Você — não importa qual o resultado final. A história passa a desdobrar-se a partir daí.

Portanto, pergunte-se: você quer um, o outro, os dois, ou estar sozinha? Mas atenção: não se deve levar em conta o que é que cada um dos moços quer porque o que você *não* quer é deixar que outra pessoa decida por você (mesmo que não seja bem isso: ninguém decide por ninguém). Acho que deve rolar um medinho do tipo: mas se escolher o, digamos, Lobo e ele não me quiser? Aí terei que ficar com o Fofo. Naninanão. Não é assim que funciona. A gente tem que ter a coragem necessária de tomar uma decisão mesmo. Eu acredito firmemente que as coisas começam a engrenar quando a gente bota fé nas nossas decisões. Sabe aquela pataquada do universo a seu favor? Então. Mais ou menos isso. Só que não é a magia das estrelas na sua vida: é o fato de você saber o que quer e começar a agir como tal. As pessoas à sua volta percebem e reagem a esse estado de “eu sei o que quero”. 

Sobre rolos com outras moças. 1. Você gostaria que os moços se desenrolassem? Por que é que eles não se desenrolam? Mesmo os mocinhos mais dãs e aparentemente mais enrolados são capazes de se desenrolarem. Às vezes é duro perceber que eles não o querem fazer por *você*, mesmo que você ache que valha a pena. Será o caso?

2. Há a possibilidade de o resultado não ser aquele que a gente havia desejado.  Pode ser que você se decida por um e pode ser que esse um não queira nada de sério. Aí é sua vez de decidir se quer alguma coisa séria com ele. Acho que as decisões têm passos. O primeiro é saber qual caminho que você quer tomar: Lobo, Fofo, os Dois, Você Sozinha. E a partir daí as coisas vão. 

Resumindo: Existem novelas chamadas “Senhora do Destino” por uma razão simples: porque é verdade. Rarrarrá. É a gente que tem que enfrentar as coisas de frente e tomar uma decisão instintiva (ou não). Então: (a) Fofo; (b) Lobo; (c) Os dois; (d) Você Sozinha.  E em seguida, se escolheu um dos moços: (a) Pra ser sério; (b) Pra ser divertido. E se o moço não quiser as mesmas coisas que você? Bola pra frente porque a fila tem que andar. #FofoLobo

Se tiver outras perguntas, manda bala. :)

Asker Anonymous Asks:
Testando um-dois-três. Eco. Eco.
ohyeahthedoctorisin ohyeahthedoctorisin Said:

Ah. Ah. Ah. 

Asker Anonymous Asks:
Você poderia me ajudar indicando um livro, em inglês, para um menino de 14 anos, que não gosta de Harry Potter e Crepusculo, que precisa treinar a leitura?
ohyeahthedoctorisin ohyeahthedoctorisin Said:

Um pouco difícil de dar uma dica porque não conheço o moçoilo, nem sei se sabe inglês super bem ou o quê. Mãs. Tem essa coleção do Percy Jackson que é bacaninha. Só li o primeiro livro, que é beeeem legal, e quero ler os outros. Esse linque que eu coloquei aqui é só para os 3 primeiros da coleção, mas está num preço ótimo (e você sabe que não se paga imposto sobre livros e com o dólar barato, vale a pena importar).

Tá bom que eu sou avó e talecoisa e o leitor aqui seria um menino de 14. E é meio de fantasia, de que ele não gosta muito. Esses livros contam a história do Percy Jackson, que é filho de um deus do Olimpo e uma humana. E por aí vai.

Mais importante do que saber do que esse menino não gosta, seria saber do que esse menino gosta. Me deixa outras dicas!

If you are in need of some — awesome — advice, you’ve come to the right office.  Ask away (and give me as much detail as you can) and I’ll do my best to give you sound, compassionate advice.